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| 14/05/2012 |
BLOG DO LARANJEIRA
Como surgiu em mim a preocupação que me acompanharia por uma grande parte da vida e como me livrei dela, do alcoolismo e do cigarro. Conto esta história em cinco minutos de leitura num artigo de 11 parágrafos curtos, em linguagem objetiva e ao alcance do entendimento até de pessoa semi-analfabeta.
Como me livrei de uma aflição
Aos 12 anos eu já era viciado em leitura de gibi, revista e jornal e lembro que, nessa época, havia uma discussão entre a Igreja e os marxistas em cuja opinião, se o homem levasse uma pancada na cabeça, os demais membros do corpo perderiam a força, portanto ele seria matéria. A Igreja replicava: Deus mora na memória do homem situada na cabeça, com a qual ele exercita o pensamento e se comunica com as coisas divinas. O homem, dizia a Igreja, é matéria e espírito, que a movimenta e lhe dá a vida. Logo, surgiu-me a primeira grande preocupação a qual me acompanharia pela maior parte dos anos: se Deus é o Bem que se encontra em todas as pessoas, por que então umas são boas e outras más? Por que umas matam outras? No mês de agosto, festa do padroeiro da cidade, São Bartolomeu, eu assistia as pregações do Padre Sadock, considerado o mais importante orador sacro da Bahia, mas ele não dava resposta à minha curiosidade. Ao mudar residência para Salvador, entendi que, se passasse a frequentar mais as missas e esperasse pelo sermão, um dia eu encontraria a solução do problema, então, às igrejas próximas de casa como do Senhor do Bonfim e de Nossa Senhora da Boa Viagem e do Largo de São Bento, próxima ao Jornal da Bahia onde eu trabalhava, ia inúmeras vezes, mas os discursos religiosos cheios de encantos não satisfaziam o meu desejo. Uma desilusão amorosa me levara ao consumo de bebida alcoólica e, além de falar da causa da bebedeira, demonstrava irritação com a falta de resposta à pergunta que me preocupava: Se Deus é o Bem que se encontra em todas as pessoas, por que então umas são boas e outras más? Por que umas pessoas matam outras?, repetia a pergunta aos amigos. Assim, virei alvo de brincadeiras e ganhei a alcunha de maluco. Em São Paulo, início dos anos 90, a minha mãe, viúva, caiu doente. Trouxe-a para submetê-la a exames, os médicos lhe descobriram a diabete, ela voltou para Salvador, aonde eu ia visitá-la sempre que podia. O meu irmão levou mamãe de volta para a cidade natal de onde recebi telefonema que ela se encontrava mal. Viajei, mas a encontrei morta. Soube então que minutos antes de morrer mamãe pronunciou várias vezes o meu nome, tal informação me deixou magoado pelo sentimento de não vê-la pela última vez e retornei a São Paulo. Já separado, passei a morar sozinho no Bairro Baeta Neves e com o pensamento fixo em minha mãe não conseguia noite após noite pregar no sono. À época já acumulava duas funções: de jornalista e livreiro. Fui a São Paulo em busca de novidades no mercado de livros e ao passar pela Praça da Sé vi na vitrine de uma loja o livro O Cuidado devido aos mortos, de Santo Agostinho. Comprei e no caminho de volta a São Bernardo no ônibus li o livro quase inteiro. Conclui a leitura em casa e não sei por qual motivo nessa noite tive um sono profundo e sonhei com mamãe, ela com o rosto dos tempos em que possuía pouco mais de 30 anos. Interessei-me então pelas obras de Santo Agostinho: conheci suas Confissões na qual ele confessa que o único lugar que Deus pode ser encontrado no homem é na memória, este livro me atraiu para outros como O Livre Arbítrio, no qual encontrei a resposta à pergunta que me torturava: se Deus é o Bem que se encontra em todas as pessoas, por que então umas são boas e outras más? Por que umas matam outras? Porque todos nós nascemos com a liberdade de agir tanto para o bem quanto para o mal. Essa liberdade, dada por Deus, Agostinho chama de livre-arbítrio que é um bem em si mesmo, não um mal, mas "o pecado (a má ação, a crueldade e a perversidade) provém do mau uso do livre-arbítrio." Fui possuído de incontida alegria por essa descoberta e nunca mais enfiei uma gota de álcool ou um cigarro na boca. Vegetariano, continuo a morar e a trabalhar só e nenhuma solidão, nenhuma discórdia, nenhuma edição de jornal têm tido forças suficientes para alterar a minha paz. Ontem, lembrei de Santo Agostinho, quem me livrou de uma aflição e de quem me aproximei pelo seu pensamento impresso em letra de forma. Então, resolvi postar este texto na internet. Jornalista, Carlos Laranjeira é autor entre outras obras de Autores e Livros, 80 páginas, 12 reais.E se encontra no Facebook - acesse, cadastre-se ou saiba mais.
Escrito por Laranjeira às 16h51
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| 06/05/2012 |
Tudo dá certo para Marinho Com o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, tudo tem dado certo: o São Bernardo Futebol Clube volta à Primeira Divisão do Campeonato Paulista, o Hospital de Clínicas se encontra na reta final e a mudança da Feira Livre do Bairro Assunção, da Avenida João Firmino para a Avenida Presidente Kennedy, onde se localiza o Clube Mesc, que ameaçava desagradar, para surpresa de muitos, agradou tanto a feirantes quanto a freqüentadores. Nem a fragilidade física do mais importante cabo eleitoral do prefeito, ex-presidente Lula, que se movimenta com uma bengala e não reúne condições para falar por mais de 15 minutos, lhe produz ranhura ou oferece aos adversários as condições para tirar proveito. Essa mesma situação não se pode aplicar ao ex-ministro Fernando Haddad, eventual candidato do PT à prefeitura de São Paulo, principal prejudicado com a doença e a carência física de Lula. Dizem os mais velhos que em política não existe sorte, existem sim proposta e trabalho, a propósito até o tempo corrobora com essa assertiva, pois o PT, outrora conhecido como o partido das trapalhadas, cujos membros viviam a brigar inclusive em São Bernardo, tornou-se uma instituição disciplinada. Já o PSDB, no passado um partido bem arrumado no ABC, se desestruturou e perdeu o referencial de partido planejado e bem comportado. A mudança de ação no Partido dos Trabalhadores, de conflitos para um ambiente de paz, deu aos prefeitos eleitos pela sua legenda uma quietude para planejar e executar ações e, assim, receber a proteção de autoridades maiores como Luiz Marinho recebe da presidente Dilma Roussef. Esta é uma das razões de tudo o que planeja dá certo inclusive o Hospital de Clínicas e a mudança da Feira do Bairro Assunção, a maior de São Bernardo. A volta do São Bernardo à elite do futebol paulista, uma das prioridades do prefeito, teve a orientação do ex-deputado Edinho Montemor, também ex-presidente do clube. Edinho cresceu na política no grupo ao qual pertence o ex-prefeito e atual deputado federal William Dib, que o lançou candidato à Câmara dos Deputados em 2006, Edinho saiu da cidade com quase 70 mil votos e só não se elegeu, porque o mesmo Dib, promoveu a candidatura do vereador Névio Carlone a federal. Homem que se melindra com facilidade e desconfia de outro, Dib na verdade não queria Edinho como concorrente em seu próprio grupo, então o lançou candidato e o prejudicou. Caso permitisse a eleição, o teria tido como pretendente ao seu objetivo em 2010 e certamente Dib não teria sido eleito porque, a despeito de ser um homem de grandes recursos financeiros, Edinho é mais dinâmico, ágil e criativo. E Montemor hoje seria o candidato a prefeito, não Alex, que Edinho no ano passado chamou de “sem rumo.” A desconfiança de Dib com Montemor vinha desde 2006 e desabou com todo o seu peso em 2008, quando Luiz Marinho venceu Orlando Morando, cujo vice era Edinho que, ao perceber falta de perspectiva nesse grupo, ingressou no PDT e hoje integra o arco de alianças de Marinho, para quem trabalha com dedicação fervorosa. Se tudo - ou quase tudo - dá certo para o atual prefeito não é uma coincidência, pois, se você dedicar algum tempo para investigar as causas desse efeito, começarão a surgir fatos. Jornalista, Carlos Laranjeira é autor de livros. E se encontra no Facebook - acesse, cadastre-se ou saiba mais.
Escrito por Laranjeira às 18h25
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| 30/04/2012 |
Dib, Alex e Admir receberão o troco O ex-presidente Lula disse em vídeo, transmitido sábado no encontro municipal do PT, que o partido pretende governar São Bernardo pelo menos durante 20 anos. Não sei se governará por 20 anos, mas por oito – contando a reeleição do prefeito Luiz Marinho em 2012 – sim, não pela obra administrativa de Marinho como Lula quer fazer crer, mas pela incapacidade da oposição que, além de não saber cumprir suas atribuições, se dispersou. Para o historiador, surge neste instante um acontecimento da maior importância: a ascensão do PT terminou com as duas correntes políticas mais influentes da cidade nos últimos 50 anos: o laurismo, inspirado na figura do ex-prefeito Lauro Gomes, do qual Tito Costa foi o principal expoente, e o grupo da ex-prefeita Tereza Delta que, apesar de fragmentado com a sua morte e do ex-prefeito Geraldo Faria Rodrigues, persistia no bairro Baeta Neves. O maior reduto do laurismo era o bairro de Rudge Ramos, onde, em 2008, o candidato do PSDB Orlando Morando venceu o do PT nos dois turnos, agora se encontra em desvio de rumo. Porque o homem mais influente deste bairro, ex-vice-prefeito e ex-vereador Elcio Macalé, hoje trabalha para o PT e o seu desempenho como cabo eleitoral tem sido reconhecido de tal maneira que Macalé só não ocupa posição de destaque na administração porque não quer. Ele diz que mudou de rumo porque um sobrinho é candidato a vereador pelo arco de alianças do PT, mas, eleja-se ou não o sobrinho, Macalé não retorna mais ao grupo que se denomina oposição, tanto é verdade que teria recebido em casa a visita do deputado federal William Dib e do vereador Admir Ferro e se recusou a trabalhar para estes dois, que apóiam Alex Manente. No Baeta Neves nem é necessário esmiuçar a tendência do eleitorado, tão clara ela é favorável ao prefeito. Essa mudança ocorre porque nenhum membro da “oposição” não fez absolutamente nada nesses últimos três anos, pelo contrário, só atrapalhadas. Primeiro, o PSDB resolveu apresentar candidato próprio, depois William Dib se rebelou contra essa decisão e apoiou abertamente o candidato Alex Manente, do PPS, o que lhe valeria um processo de expulsão e perda do mandato, mas o presidente municipal do PSDB, Admir Ferro, não o instaurou porque é dependente do Dib, em cujos governos foi o titular da secretaria de Educação. Passou a prevalecer decisão pessoal de William Dib com o propósito oculto de prejudicar Orlando Morando, que se afastou da disputa. Em conseqüência, o PSDB, como queria Dib, deixou de ocupar a cabeça de chapa para apoiar a eventual candidatura a prefeito de Alex numa aliança esquisita. Agora, como o eleitor tucano politicamente esclarecido vai votar em Alex Manente se ele ajudou Luiz Marinho a se eleger prefeito em 2008, e participou da administração petista, inclusive com a indicação de secretário e de jornalistas para a área de Comunicação da prefeitura? Dib, Alex e Admir colocam em dúvida a saúde mental do eleitor. Eles pensam que esse eleitor, já desiludido e desencantado com os desvios de conduta, não é livre para decidir inclusive de se abster de votar em candidato a prefeito. Podem receber o troco. Então, Lula, você tem pelo menos oito anos de razão. O PT continuará a governar São Bernardo por mais quatro anos, pois não creio que nem o julgamento do processo do Mensalão arranhará a reeleição do prefeito Luiz Marinho. Este realiza uma gestão satisfatória e certamente, para continuar prefeito, o seu partido não precisará realizar nem o esforço nem os gastos de 2008 porque o próprio PSDB contribuiu para esta cômoda situação. E se o partido tucano continuar deste jeito, confuso e disperso, o PT alcançará os 12 anos na prefeitura. E você, Lula, terá 12 anos de razão. Jornalista, Carlos Laranjeira é autor de livros. E se encontra no Facebook - acesse, cadastre-se ou saiba mais.
Escrito por Laranjeira às 08h16
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| 27/04/2012 |
Um monumento ao desperdício: reaja A Câmara de São Bernardo ergue, por R$ 28 milhões, um monumento ao desperdício: um novo edifício de três andares, também chamado de Gaiola de Ouro. Isso ocorre porque a Prefeitura repassa até 7% da sua receita para os vereadores contratarem 13 assessores cada um, andar de automóvel com gasolina e motorista pagos com o dinheiro público e receber R$ 15 mil de salário inclusive nos meses de férias e outras regalias como correios e cópias xerográficas. A moralidade exige reação, então reaja. Maluf humilhou, hoje é humilhado Mas a política é também uma fonte de sabedoria. O deputado Paulo Maluf, que humilhou o governador Laudo Natel, que o projetou na política, com o tempo passou a ser humilhado: perdeu a disputa presidencial para Tancredo Neves, a prefeitura para Luiza Erundina na semana da eleição, deu a Marta Suplicy a chance de se projetar com a frase “Cala a boca, Maluf”, foi preso com o filho, Flávio, durante 40 dias e agora acaba de receber o não da Justiça de Nova Iorque para sair da lista de procurados da Interpol. Segundo Padre Vieira, a coisa mais difícil na vida é pedir e ouvir um não. “Terrível palavra é o non”. Segundo ele, “o non não tem direito nem avesso; por qualquer lado que o tomeis, sempre soa e diz o mesmo. Lede-o do princípio ao fim, ou do fim para o princípio, sempre é: non... Por qualquer parte que o tomeis, sempre morde, sempre fere e mata a esperança. Não há corretivo que o modere, nem arte que o abrande. Por mais que o enfeiteis, sempre é feio... Qual é a sua dureza? É chegar e pedir e, depois de chegar e pedir, ouvir um não.” Celso imbatível Curiosidade política: Celso Daniel, que teria completado 61 anos agora em abril, continua como o prefeito mais votado da história de Santo André, SP, a despeito de ter sido seqüestrado e morto há 10 anos. No ano 2000, ao concorrer pela terceira vez a prefeito, ele obteve 250.506 votos. Até hoje, nenhum candidato o superou e pelo andar da carruagem não vai superar em 2012. Getúlio Vargas O meu pai foi dirigente da UDN na Bahia e com ele aprendi a admirar Carlos Lacerda e desprezar Getúlio Vargas, que completaria agora em abril 130 anos. Nascido em São Borja, RS, Vargas foi deputado estadual, deputado federal, ministro da Fazenda do governo Washington Luiz contra quem se rebelou e fez a revolução de 30 que o conduziu ao poder e nele permaneceu durante 15 anos. Em 1946, elegeu-se senador e presidente da República, em 1950. Suicidou-se em 1954 ao ser acusado de mandar matar o jornalista Carlos Lacerda, que saiu ferido na perna. No atentado, foi morto o major Rubens Vaz, da Aeronáutica, segurança de Lacerda. Jornalista, Carlos Laranjeira é autor de livros. E se encontra no Facebook - acesse, cadastre-se ou saiba mais.
Escrito por Laranjeira às 07h35
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| 21/04/2012 |
Quem é o mocinho e quem é o bandido Além de ser um absurdo a presidente da República designar, com base no seu interesse pessoal, ministro para o Supremo Tribunal Federal, esta Corte se encontra fora da jurisdição do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão encarregado de fiscalizar o judiciário. Por essa razão, na recente troca de acusações entre os ministros Cezar Peluzo e Joaquim Barbosa, a gente não sabe quem é o mocinho e quem é o bandido e assim (a gente) continua subordinada na justiça ao juízo de pessoas misteriosas. Parece gozação, mas não é Só daqui a alguns anos o Código Penal Brasileiro vai considerar crime o ato de se passar mão no dinheiro público, por decisão da comissão que prepara a reforma deste código, ainda assim de forma tímida, porque o criminoso só pegará cinco anos de cadeia. Há mais de nove anos rouba-se de forma escandalosa o dinheiro público e o novo código não retroagirá, então, até entrar em vigor os políticos e juízes continuarão a enfiar a mão no nosso dinheiro. Parece gozação, mas não é. Jornalista, Carlos Laranjeira é autor de livros. E se encontra no Facebook - acesse, cadastre-se ou saiba mais. O que não faz a experiência! A Comissão de Ética do Senado debatia nessa quinta-feira requerimento ao ministro Ricardo Lewandowski para pedir cópias de informações do processo no Supremo contra Demóstenes Torres (sem partido). Então o senador Pedro Simon (foto) pediu a palavra e criticou o desembargador que, atendendo pedido do advogado Marcio Thomaz Bastos, autorizou a transferência do bicheiro Carlinhos Cachoeira do Rio Grande do Norte em avião de carreira para Brasília, onde divide cela com outros presos no Presídio da Papuda. Simon lembrou que Paulo César Farias, o PC Farias tesoureiro de Collor, também esteve preso e em seguida foi assassinado, com isso o Brasil perdeu um grande arquivo de informações e que, para ele, não será surpresa se ocorrer o mesmo com Cachoeira, por cuja vida – disse o senador – a União é responsável. Só a partir daí a Comissão de Ética reconheceu a possibilidade de ameaça à vida do bicheiro e decidiu alertar o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, pois Cachoeira é um “arquivo vivo” de denúncias contra políticos e empreiteiras. HÁ 27 ANOS MORRIA TANCREDO NEVES Há exatamente 27 anos, no dia 21 de abril de 1985, os brasileiros recebiam a notícia da morte de Tancredo Neves, que aceitou o jogo da ditadura civil-militar e concorreu no Colégio Eleitoral contra o ex-governador Paulo Maluf, apoiado pelos militares. O Colégio Eleitoral era formado por deputados e senadores, a maioria do PDS, sucedâneo da Arena, de apoio ao governo militar, ainda assim deu Tancredo, que dividia a liderança do PMDB com o deputado Ulisses Guimarães. Ele havia sido deputado estadual, deputado federal, ministro da Justiça do último governo de Getúlio Vargas, Primeiro-Ministro do governo parlamentarista do presidente João Goulart, governador de Minas Gerais, senador e presidente da República. Adoeceu no dia 14 de março, véspera da posse e morreu dias depois. A sua morte suscitou edições extraordinárias de jornais, telejornais e revistas, em decorrência do impacto da notícia na sociedade, que acompanhou pelo rádio e TV durante 39 dias o seu sofrimento. Tancredo deixou como herdeiro político o neto, Aécio Neves, que era o seu secretário particular e se tornou deputado federal e presidente da Casa, presidente da República na ausência do presidente Fernando Henrique Cardoso, governador de Minas Gerais e atual senador por esse estado. Fotos, vejam na página Polítika no Facebook . Jornalista, Carlos Laranjeira é autor de livros. E se encontra no Facebook - acesse, cadastre-se ou saiba mais.
Escrito por Laranjeira às 04h40
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| 14/04/2012 |
Rita Zincáglia É delicada a situação de saúde e financeira de Rita Zincáglia, testemunha ocular e auditiva de um dos capítulos mais importantes da história de São Bernardo, o dos anos 50 e 60. Com pouco mais de 80 anos, Rita sofre entre a cama e a cadeira de rodas, sem a prefeitura e a Câmara de Vereadores terem com ela o zelo que uma pessoa da sua amplitude, por tudo que fez pela cidade, deve receber. Eu a conheci em 1974 quando São Bernardo era um oásis de paz, mas a Câmara de Vereadores, barulhenta, dava manchetes constantes ao Diário do Grande ABC, no qual trabalhava como repórter de política. São Bernardo era também uma fonte do folclore político em que tive uma participação ao telefonar para o ex-prefeito Aldino Pinotti, diretor da Agesbec, empresa de economia mista sob controle da prefeitura. “Seu” Pinotti, é verdade que o senhor se distanciou do prefeito Geraldo Faria...” Sem esperar eu terminar a pergunta, ele respondeu: “Verdade, sim: ele tá la , eu tô cá.” E desligou. A vida de Rita foi um baú de surpresas, uma das quais ser professora de Clarivalde Versolatto no único Grupo Escolar da cidade e com esse aluno viria fundar e administrar a Associação dos Servidores Inativos. Especialista na língua inglesa, a qual falava e escrevia corretamente, virou funcionária da Firestone, onde servia de intérprete de visitantes norte-americanos, assim ganhou fama, então, ao se eleger prefeito de São Bernardo, o mineiro Lauro Gomes admitiu lhe pagar salário superior ao da multinacional, o que representou para ela uma nova surpresa. Tornou-se secretária do prefeito, de quem ela aproximou os irmãos Dotto, fundadores do Diário do Grande ABC e usou sua influência com Lauro para ele ceder terreno a Associação dos Funcionários Públicos, onde o clube construiu a sede atual. Tornei-me servidor da prefeitura, onde trabalhei na Divisão de Imprensa sob as suas ordens e cobri a cerimônia na qual ela se aposentou do serviço público na gestão de Tito Costa. Tito havia trabalhado no Frigorífico Wilson do Brasil com Lauro e conduzido a sua solenidade de posse como prefeito. Mas não possuía nem de longe a força política de Rita, que ajudou o chefe a eleger-se deputado federal, assistiu as brigas com a deputada Tereza Delta, acompanhou a instalação das montadoras de automóveis às margens da Via Anchieta, os rompimentos de Lauro com Aldino Pinotti e Sérgio Ballottim e sua eleição para prefeito de Santo André. Diz Santo Agostinho que devemos aprender a fazer amigos para substituir os que se vão e prosseguir na busca da felicidade. A Câmara de Vereadores deu a Rita Zincáglia demonstração de amizade ao lhe conceder homenagem e lhe reconhecer os serviços prestados a São Bernardo, mas foi uma amizade superficial à base de discursos cujas palavras desaparecem no ar como fumaça, não duram mais de um minuto. Se “o próximo” é quem prestamos auxílio e de quem recebemos, não custa a cada vereador, a cada deputado local e aos assessores do prefeito pelo menos procurá-la e, na medida do possível, tentar desapertar o nó que a aflige. Jornalista, Carlos Laranjeira é autor de livros. E se encontra no Facebook - acesse, cadastre-se ou saiba mais.
Escrito por Laranjeira às 23h09
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| 07/04/2012 |
Corrupção, famílias e partidos políticos Há dois grandes núcleos de corrupção no Brasil: o partido político e a família por meio dos quais os seus membros negociam interesses particulares em troca de apoio a quem se encontra no poder. Há núcleo familiar até com influência superior ao partido ao qual pertence, tanto é verdade que a família Sarney, após extrair leite durante 24 anos das mamas dos militares, hoje suga as tetas de quem lhe fazia guerra. Integrada por uma governadora, dois deputados e um senador, no caso, o próprio José Sarney, esta família que controlava a Arena, partido de sustentação dos militares no poder, passou a controlar também o PMDB, que governa o País com o PT. E o monitora tão bem que até o experiente senador gaúcho Pedro Simon confessou da tribuna nunca ter participado de reuniões para indicações de ministros pelo PMDB. Advinha quem os indica? Interesseira a família Sarney só, não. Em Alagoas, duas famílias influem nos destinos do estado: Collor e Lyra. Se você pensa que o senador Fernando Collor de Mello apoia o governo do PT por ideologia, pensa errado. A revista Veja escreveu que, acompanhado do usineiro e deputado João Lyra, Collor foi à sede da Petrobras Distribuidora da qual exigiu um contrato de 20 anos para a compra de etanol das usinas da família Lyra; 20 anos não, mas a Petrobras concordou com um contrato de quatro anos no valor de R$ 200 milhões. Esse toma dá cá começa nos municípios e se dirige para os estados e a União, nesta com mais vigor, pois o governo federal fica com 51% de tudo o que se arrecada no Brasil, ou seja, tem mais dinheiro do que a soma dos estados e municípios. Por essa razão, ostenta 24 ministérios, 11 secretarias com status de ministérios e estatais do porte da Petrobras, Eletrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica. Como o Brasil adota um presidencialismo de coalizão, em que se governa mediante acordos partidários, este modelo atrai partidos e famílias que oferecem apoio a quem se encontra no poder para nele se manter em troca de vantagens pessoais. Por essa razão, o Brasil tem hoje 22 partidos com assento na Câmara Federal e todos – ou quase todos – controlados por grandes e médias famílias e sem independência em relação ao governo. Também por essa razão cresce a cada legislatura o número de políticos que declara possuir patrimônio superior a R$ 1 milhão: em 2002, dos 513 deputados federais, 116 declararam-se milionários, em 2006 o número pulou para 165 e em 2010 para 194. O deputado de maior patrimônio é João Lyra, do PTB de Alagoas, patriarca da família Lyra e para quem o senador Fernando Collor conseguiu com a Petrobras um contrato de R$ 200 milhões. A corrupção movimenta hoje R$ 85 bilhões ao ano tempo em que, segundo levantamentos, cerca de cinco mil famílias se enriquecem ou aumentam mais o patrimônio. Como esse dinheiro fica em mãos de poucos em prejuízo da maioria dependente de casa, saúde, educação e de Bolsa Família, só aumentam a desigualdade e a violência que servem para enfeitar discursos políticos e para juízes reivindicarem aumentos salariais, os mesmos que, a pedido da família Sarney, censuram os jornais que a incomodam. Jornalista, Carlos Laranjeira é autor de livros. E se encontra no Facebook - acesse, cadastre-se ou saiba mais.
Escrito por Laranjeira às 21h21
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| 01/04/2012 |
Assim o PT domina a cidade de S. Bernardo Na edição anterior, tentei mostrar que em todo eleitorado há interesses particulares. Em São Bernardo, o PT os identificou nas primeiras famílias beneficiadas pelo Estado no século passado com doação de terras, razão pela qual se tornaram influentes e hoje ajudam o partido a formar a vontade geral de continuar no poder. Ajudam-no porque os petistas dão a elas o que julgam mais importante: uma fatia do poder, em outras palavras, empregos na prefeitura. Elas não participam da base do poder e sim de uma parte intermediária, ou seja, de cargos no segundo escalão porque o partido ainda não tem total confiança nelas. Eu chamo de “base do poder” o primeiro escalão do governo – ou o primeiro degrau - formado por indivíduos da raiz do PT a exemplo de Maurício Soares e suscetível a influência só de quem lhe tem provado fidelidade a exemplo do vereador José Ferreira e da deputada Ana do Carmo. Eu comecei esta análise pelas chamadas “famílias tradicionais” porque elas representam a facção mais forte dos novos aliados do partido, que ainda soube identificar e separar os interesses particulares de jornais e jornalistas. Por não ter confiança no Diário do Grande ABC, o mais influente na região, o PT tornou-se capaz em ajudar na criação de um novo jornal com verbas da prefeitura e do governo federal, e este novo jornal cresceu tanto a ponto de ter já na cidade uma influência próxima a do Diário. E, na Secretaria de Comunicação, empregou jornalistas da sua confiança e despediu aqueles que entendeu não poder confiar. Com efeito, há de se tirar duas conclusões: primeira, em vez de brigar com famílias com a posse da terra em áreas urbanas e rurais como pensava o ex-presidente Lula no início da vida pública, o partido concordou em oferecer a elas um espaço na prefeitura desde que ajudassem a formar a vontade geral de mantê-lo no poder; e, segunda, em vez de brigar com o jornal mais influente no ABC, criou um outro para enfrentar o Diário. Assim, para dominar São Bernardo, o PT renunciou a intransigência em favor da conciliação desde que este ajuste entre demandas o mantenha no poder de tomada de decisões. Ao terminar este texto, creio ter reforçado a tese de que em todo eleitorado há interesses particulares e o partido que sabe administra-los, sem permitir que descambem para o desvio de condutas individuais, tira proveitos numa cidade do tamanho de São Bernardo, a qual agora, sim, tem sido laboratório para experiências políticas com propósitos maiores. Concluída esta análise pretendo mostrar por que o interesse particular, mal administrado pelo poder público, torna-se origem da corrupção. Jornalista, Carlos Laranjeira é autor de livros. E se encontra no Facebook - acesse, cadastre-se ou saiba mais.
Escrito por Laranjeira às 09h00
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| 26/03/2012 |
O PT e as famílias de São Bernardo Quem diria que o PT de São Bernardo, só preocupado com a política de sindicatos, daria um banho de habilidade nos concorrentes na arte de fazer política municipal? O partido teve a destreza de perceber que na soma dos interesses das pessoas em comum há os interesses de núcleos familiares, que podem não servir de base a um governo, mas influenciar eleições, sim. Então, em 2008, o Partido dos Trabalhadores identificou esses interesses privativos, se comprometeu por gestos, em caso de vitória, a destinar um ou mais cargos na administração a representantes de cada grupo familiar, formou com esses grupos uma “comunidade”, a colocou em movimento e esta, motivada, se empenhou para a vitória de Luiz Marinho. Hoje, representantes dessas famílias ocupam cargos importantes no segundo escalão da prefeitura e ocasionalmente no secretariado, permanecem unidas ao PT e enquanto o partido satisfazer seus interesses elas continuarão com o candidato da legenda criada pelo ex-presidente Lula, quem criticavam por entender que o antigo líder sindical quisesse acabar com a sua influência na cidade e no ABC. Mas, hábeis, Lula e o ex-prefeito Maurício Soares, as atraíram em vez de questioná-las ou contestá-las. A influência dessas famílias na cidade começou quando, ao chegarem na primeira metade do século passado a São Paulo proveniente do Oriente e da Europa sempre em guerras, foram contempladas pelo governo com pedaços de terras em São Bernardo que era um só município, onde hoje é o Grande ABC. Elas trabalharam a terra e a deixaram para os filhos, que a lotearam, assim surgiram vilas e bairros identificados pelos nomes de seus primeiros moradores, ou seja, daqueles que chegaram da Europa e do Oriente e sem querer trabalhar em plantações de café no interior receberam graciosamente do estado áreas para plantarem e sobreviverem. Na esteira dessas, surgiram outras que passaram a se destacar no comércio e na pequena e média indústria. Essas famílias participaram do processo de transformação de São Bernardo, de cidade rural para industrial e assim que as montadoras de automóveis chegaram às margens da Via Anchieta, com trabalhadores de todas as regiões, já as encontraram com a posse da terra. O surgimento do Partido dos Trabalhadores, em 1980, trouxe-lhes preocupação, pois o presidente nacional da legenda, Luiz Inácio Lula da Silva, questionava o domínio da terra em mãos de uns poucos em detrimento de muitos, mas com o tempo o PT entendeu que se podia tê-las como aliadas para quê fustiga-las? O PT soube entender que todo eleitorado unido por convicções políticas tem grupos influentes com interesses privativos, que podem desunir o conjunto de eleitores se o partido em busca do poder não ouvi-los e satisfazê-los. O Partido dos Trabalhadores os reconheceu, valorizou-os e deu-lhes a chance de participar não da base do governo e sim de pequenas decisões e enquanto permanecer com essa união dificilmente perderá uma eleição em São Bernardo. Jornalista, Carlos Laranjeira é autor de livros. E se encontra no Facebook - acesse, cadastre-se ou saiba mais.
Escrito por Laranjeira às 07h53
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| 18/03/2012 |
Apelo à Dilma Por que a presidente Dilma Roussef não decide logo proibir por meio de decreto que ministérios, estatais, bancos oficiais, cargos diplomáticos e do segundo escalão sejam ocupados por parlamentares? Por que, com o poder da caneta, não põe fim imediato à corrupção introduzida no governo especialmente por deputados e senadores ao responderem por ministérios? A presidente tem a seu favor a maioria da opinião pública e medida desta natureza lhe propiciaria manifestações de apoio das classes populares, a tornaria uma espécie de Dom Quixote de saias, ou seja, numa mulher decidida na luta contra a depravação dos costumes. Ainda colocaria o Congresso numa situação de cautela e os seus membros ficariam inibidos de se manifestarem contra. A imprensa não tardaria em louvar a decisão moralizadora porque, além de minimizar a corrupção e valorizar o funcionário público alçado a ministro e titular de cargos de segundo escalão, não é justo ao eleitor votar num candidato parlamentar que, eleito, é nomeado para um ministério e em seu lugar assume um suplente, o qual o votante do senador eleito – ou do deputado – nem conhece. Com efeito, a presidente seria acompanhada por governadores que a seguiriam e não mais nomeariam deputados estaduais ou federais para secretarias ou presidências de estatais. Do mesmo modo, nos municípios, os prefeitos deixariam de designar vereadores para secretarias municipais, assim os parlamentos se preocupariam unicamente com a função primordial de produzir leis e fiscalizar os outros dois poderes. Mas, lamentavelmente, Dilma Roussef tem se preocupado com bobagens como proibir celebrações do aniversário da revolução de 31 de Março porque ela teria sido presa como se tivesse sido a única pessoa a ser recolhida aos quartéis das Forças Armadas. Os militares também tiveram seus mortos à época e ainda hoje morrem nas ruas, em decorrência da injustiça e da desigualdade social, que desagregam os indivíduos, por que então eles não podem celebrar aquela data? Claro que os brasileiros precisam reescrever esse período da história com a recuperação de informações inclusive do paradeiro do deputado Rubens Paiva, vítima dos militares, mas estes têm seus méritos. O mérito mais importante no campo social foi a criação, no governo do presidente Castelo Branco, do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, de cujo controle o governo da presidente Dilma se apropriou e hoje transmite aos jovens, carentes de informação, que foi o seu partido que o criou. O Fundo de Garantia saiu da cabeça do então ministro do Planejamento, o economista Roberto Campos, que ajudou a criar o Banco Nacional da Habitação, o Banco Central, controlou a inflação que voltaria a crescer no governo Sarney e ajudou a fazer do Brasil à época a oitava economia mundial. Hoje, o governo Dilma faz todo o esforço possível para os jovens não conhecerem homens do caráter e da inteligência de Roberto Campos, mas com a Comissão da Verdade, destinada a esclarecer violação dos direitos humanos do período militar, é preciso recuperar também a imagem de homens públicos daquela época como do antigo ministro do Planejamento. Eu, um aposentado brasileiro isolado e solitário, apelo então à consciência da presidente Dilma para proibir que parlamentares sejam indicados para ministérios e órgãos do segundo escalão da administração federal e estes cargos passem a ser ocupados por funcionários públicos. Jornalista, Carlos Laranjeira é autor de livros. E se encontra no Facebook - acesse, cadastre-se ou saiba mais
Escrito por Laranjeira às 12h46
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| 12/03/2012 |
Jogo sujo O PSDB de São Bernardo vai tão mal que o presidente da legenda, vereador Admir Ferro, enviou artigo aos jornais para justificar a realização de prévias neste mês destinadas à escolha do candidato a prefeito que, num jogo do deputado federal William Dib, deve apoiar em eventual segundo turno o deputado estadual Alex Manente, do PPS. Dib teria realizado com Alex e o prefeito de São Caetano, José Aurícchio, do PTB, um acordo por meio do qual ele, Dib, realizaria movimentos para afastar o líder da bancada do PSDB na Assembléia Legislativa, Orlando Morando, da eleição a prefeito e, assim, empurrar o PSDB para o lado de Alex Manente. Este, em compensação, não sairia candidato a federal em 2014 para não prejudicar a reeleição de Dib. De acordo com as conversas, José Aurícchio concorreria a deputado estadual com Alex sob o apadrinhamento de William Dib, que na pressa de costurar o acordo, teria filiado a mulher, Marilda Dib, no PPS, de Alex, e não no PSDB por cuja legenda elegeu-se deputado federal. Ainda, em desrespeito à decisão do PSDB municipal que decidiu apresentar candidato próprio, formulou declarações de apoio a Alex, sob a complacência do presidente da legenda, Admir Ferro, que não abriu expediente para tomar o mandato de William Dib por evidente infidelidade partidária. Dessa desordem se afastou o deputado estadual Orlando Morando que, a pretexto de comandar a campanha de José Serra, candidato tucano a prefeito de São Paulo, desistiu de concorrer na prévia. Afinal, o PSDB que havia iniciado a atual legislatura no comando da oposição ao prefeito Luiz Marinho, com 15 vereadores, só dispõe hoje de três: Admir Ferro, Juarez Tudo Azul e Minami. Tudo isso ocorre em meio à notícia de que a Câmara Municipal de São Bernardo, então presidida por Otávio Manente, pai de Alex, havia contratado por um valor milionário a agência de publicidade Cavassani, de São Caetano, que trabalha para o governo de Aurícchio, aliado de Alex e Dib. Dirigente da agência enviou carta a este jornalista para explicar que a sua empresa fora contratada pela Câmara de “forma legítima”, mas tenho reiterado ao presidente da Câmara, Hiroyuki Minami, do PSDB, o valor do contrato, a sua vigência e a relação das agências que participaram da licitação. Ele não dá resposta. Eleitor tucano que se preze não vai dar voto a essa engrenagem, com todas as características de um jogo sujo. Jornalista, Carlos Laranjeira é autor de livros E se encontra no Facebook - acesse, cadastre-se ou saiba mais.
Escrito por Laranjeira às 12h22
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| 04/03/2012 |
Cartola, Dib e Maurício Certo dia, o ex-prefeito Maurício Soares me abordou para saber a razão pela qual eu continuava a criticá-lo, se na demissão da prefeitura, em seu primeiro governo, ele fez acordo na Justiça do Trabalho que permitiu a minha volta ao Paço. Eu ouvi mais do que falei, mas esclareci que não incluía em meus textos nenhuma evasiva para transmitir mágoas, e sim críticas a sua maneira de fazer política, a qual não quis esclarecer. De todos os políticos de São Bernardo, Maurício Soares é o único que jamais me negou ou adiou uma entrevista; na condição de prefeito ou de ex-prefeito tem sido gentil comigo, isto sou obrigado a reconhecer. Agora, sempre o considerei petista, inclusive ao sair do PT - em decorrência de eventuais entreveros com Djalma Bom e Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho – e migrar para o PSDB. Toquei nesse assunto porque tenho tentado mostrar a Waldir Cartola que o seu maior erro foi, em 1996, ao desisti da candidatura a prefeito, exigi do candidato Tito Costa, líder das pesquisas de intenção de votos, a substituição do vice João Américo Martins por Ramiro Meves em troca de apoio a Tito. Este se recusou atendê-lo. Ressentido, Waldir decidiu apoiar o adversário de Tito, Maurício Soares, que havia persuadido William Dib a renunciar a candidatura de prefeito para apoiá-lo. Com os apoios de Cartola, Dib e do xará, Maurício de Castro, Maurício passou à frente de Tito e venceu a eleição em dois turnos. À época, Cartola representava a terceira força eleitoral da cidade, posição adquirida em razão de no governo Demarchi, na secretaria de Assuntos Jurídicos, haver tomado uma decisão sem precedentes: como a Constituição Federal assegurou a estabilidade do servidor público estatutário, ele elaborou um projeto de lei por meio do qual transformava todos os servidores da prefeitura de São Bernardo em estatutários inclusive professores, motoristas, merendeiras, pedreiros, carpinteiros, enfermeiros, ajudantes de obras e outros. À época, o funcionalismo classificava-se em celetistas e estatutários: estes, regidos pelo Estatuto do Funcionário Público e protegidos pela Constituição, eram poucos em comparação aos servidores contratados com base na CLT, e os celetistas viviam em constante preocupação, pois aquele que não se adaptasse às orientações políticas do prefeito corria o risco de ser demitido como aconteceu na primeira gestão de Maurício, que mandou para a rua quase 200 servidores das duas classes. Os estatutários venceram a causa na Justiça do Trabalho e retornaram à prefeitura, já nem todos os celetistas tiveram a mesma sorte. Então, o projeto de Cartola que tornava estatutários todos os servidores, inclusive celetistas, foi aprovado pela Câmara e o tornou uma nova liderança. Em 1994, saiu eleito da cidade com 30.515 votos, já em 1996, candidato a prefeito, ficou em terceiro lugar. Mas, em vez de negociar no segundo turno apoio a Tito Costa que possuía afinidade com o funcionalismo, apoiou o candidato Maurício Soares que não tinha nem tem simpatia com os servidores. O funcionalismo, inclusive aposentado, não entendeu a posição de Waldir: ele havia criado o Regime Jurídico Único de todos os servidores, beneficiado os celetistas, criado o Fundo de Pensão Municipal, hoje SBCPrev, e depois dá apoio a quem não simpatizava com os funcionários? Waldir Cartola tem várias interpretações para esta decisão, mas no meu entendimento a sua carreira política encerrou-se nesse ano de 1996. Com o seu apoio, do Dib e de Maurício de Castro, candidato a vice, Maurício venceu a eleição e começou a preparar sua volta ao PT. Jornalista, Carlos Laranjeira é autor de livros E se encontra no Facebook - acesse, cadastre-se ou saiba mais.
Escrito por Laranjeira às 15h50
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| 28/02/2012 |
José Serra, suas falhas e virtudes Só algumas falhas há no pré-candidato José Serra para o Partido dos Trabalhadores se aproveitar na campanha 2012 da capital: a sua renúncia em 2006 ao cargo de prefeito para candidatar-se a governador, a renúncia em 2010 ao cargo de governador para candidatar-se à Presidência da República e, durante essa campanha, a sua aparição na tevê ao lado do ex-presidente Lula, mas nenhuma de natureza ética que a coloque em dúvida. Para quem se iniciou efetivamente na vida pública como secretário de Planejamento do governador Franco Montoro, em 1982, depois de passar um período no exílio e só regressado ao Brasil com a promulgação da Lei da Anistia, em 1979, pelo então presidente João Figueiredo, são falhas inexpressivas se comparadas as suas virtudes. A renúncia, por exemplo, a um cargo para pleitear outro pelo voto popular, faz parte do jogo político, já a sua aparição ao lado de Lula ocorreu pela falta de um projeto de comunicação. No sábado, anunciei no Facebook que José Serra havia admitido a candidatura a prefeito da capital e defendi a necessidade de os inscritos à prévia do PSDB, marcada para domingo, 4 de março, fazerem um gesto de grandeza e renunciarem em favor do ex-governador. Para minha surpresa, Bruno Covas e Andréa Matarazzo anunciaram a desistência, permanecendo na disputa José Aníbal e Ricardo Trípoli, talvez até para mostrar que a candidatura de Serra não é uma imposição, mas uma escolha livre e democrática da militância tucana. Quanto mais urgente se confirmar à candidatura Serra mais ela desequilibra a do adversário, pois não atrai só o prefeito Gilberto Kassab, não, mas outras lideranças, assim pode até isolar a candidatura petista do ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, já colocada à parte da senadora Marta Suplicy que, expulsa da disputa pelo ex-presidente Lula, passou a guardar silêncio. Quem leu o jornal O Globo, de sábado, sentiu pena de Haddad que, parecendo sem esperança e sem salvação, apelava para Marta se juntar a ele. Na abertura deste texto, eu não comentei uma outra falha do PSDB, que só está indiretamente ligada ao PT: a ausência de um projeto de comunicação, esta falta - a propósito - é tão clamorosa que foi a causa da perda da eleição de Orlando Morando em 2008 para prefeito de São Bernardo. Quando soube que no segundo turno as reuniões no escritório de Orlando se repetiam a esmo, também senti pena, pois era possível virar a eleição, ele não conseguia encontrar o meio que lhe permitisse a virada, mas esse meio existia. Jornalista, Carlos Laranjeira é autor de livros E se encontra no Facebook - acesse, cadastre-se ou saiba mais.
Escrito por Laranjeira às 06h46
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| 08/02/2012 |
Escrito por Laranjeira às 05h54
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| 06/02/2012 |
Morreu o PSDB de São Bernardo O vereador Admir Ferro, presidente do PSDB de São Bernardo, avisou em nota lacônica que realizará em março a prévia para escolha do candidato a prefeito e o deputado estadual Orlando Morando, que disputou a prefeitura em 2008, admitiu consultar o governador Geraldo Alckmin para verificar se convém ou não concorrer de novo. Se você prestar atenção, concluirá que o PSDB de São Bernardo está morto, por cuja alma já se “rezaram” missas de sétimo e trigésimo dia, mas seus membros não comunicaram nem o falecimento nem as missas à população ou na falta de ânimo querem que os eleitores o descubram pela própria curiosidade. O PSDB chegou a inércia na cidade de maior efervescência política no ABC também pela falta de um projeto de comunicação, o qual lhe servisse de guia para alcançar o público. Mas, se os seus deputados não divulgam nem telefones, endereços de escritórios nem os nomes de assessores, com o temor de serem abordados... William Dib, por exemplo, só leva ao conhecimento público o aniversário de São Caetano. Você já leu declaração sua de censura ao prefeito Luiz Marinho ou ao ex-prefeito Maurício Soares? O deputado Orlando Morando acaba de enviar artigo aos jornais de censura ao PT que, segundo ele, criticava as privatizações no Governo FHC, mas no de Dilma privatiza aeroportos. Você não acha que em vez disso Orlando devia ter um olhar fiscalizador para as ações do prefeito da sua cidade? Pois, aproveitando-se da ação primária da oposição, Luiz Marinho não tratou só de quebrar e repor asfalto não, mas de construir um projeto de comunicação, que lhe permitiu estruturar o segundo maior jornal da região, O ABCD Maior, e não teve medo de investir em propaganda no horário de maior audiência da televisão brasileira, do Jornal Nacional. E, com razão, pois até hoje nenhuma voz da oposição se ergueu contra os investimentos oficiais em publicidade e propaganda, então ele continua a valorizar o ABCD Maior, a investir na televisão e em grandes cartazes expostos em locais de maior circulação popular como a área do Paço Municipal, a Praça Lauro Gomes e a Rua Marechal Deodoro. Tentar desmanchar a sua boa imagem, puxada também por motoristas de táxis e ônibus, exige uma ação hercúlea, ou melhor, digna do herói da mitologia grega Hércules, ainda assim um resultado razoável será duvidoso. Jornalista, Carlos Laranjeira é autor de livros E se encontra no Facebook - acesse, cadastre-se ou saiba mais. Haddad e Grana são os mais prejudicados com doença de Lula. Quem mais perderá com a ausência do ex-presidente Lula, que trata um câncer na garganta, nos palanques nas eleições municipais deste ano? Para mim, Fernando Haddad, pré-candidato a prefeito de São Paulo e Carlos Grana, de Santo André. Haddad terá mais prejuízos, pois o ex-presidente tirou a líder nas pesquisas, senadora Marta Suplicy, da disputa para impor o ex-ministro da Educação, que deixou a Pasta a fim de concorrer à indicação única de candidato pelo Partido dos Trabalhadores. Além de não poder contar com a voz de Lula nos comícios, o PT passa por um processo de desgaste em decorrência da aproximação com o prefeito da capital, Gilberto Kassab, que derrotou Marta e esta reagiu, sugerindo a dificuldade de participar da campanha de Haddad ao lado do adversário de 2008. Lula insiste que, para o PT dispor dos votos dos conservadores na capital, é preciso fazer aliança, mas com o homem que impôs pesada derrota ao PT há quatro anos com o auxílio do PSDB, adversário histórico do Partido dos Trabalhadores? Essa é uma das razões que levaram os militantes petistas vaiarem Kassab em recente encontro em Brasília. Assim, o partido tucano só não conquista a prefeitura da capital se o ex-governador José Serra, conhecido pela teimosia, insistir em não sair candidato pensando em voltar a concorrer à Presidência da República, em 2014. O candidato tucano nessa eleição, Serra, será o senador Aécio Neves, pois você já teve duas oportunidades, precisa ter consciência das suas limitações e, com sentimento de humildade, ajudar o partido a manter o controle no estado mais poderoso da federação e “menina dos olhos” do PT. Se com a presença de Lula nos palanques a eleição do deputado estadual Carlos Grana já seria difícil em Santo André, mais difícil ela será sem a presença nos palanques do ex-presidente. Na cidade, governada 16 anos pelo PT à época de Celso Daniel, com a eleição do médico Aidan Ravin, do PTB, formou-se um amplo sentimento antipetista e pessoalmente não acredito que o peemedebista Nilson Bonome, nem o tucano Paulinho Serra, tenham condições de desequilibrar a eleição em Santo André. Na minha avaliação pessoal, a melhor saída para o vereador Paulinho Serra permanecer ativo na política local será uma destas opções: ou se alinha ao prefeito Aidan ou volta a concorrer a um mandato na Câmara Municipal. Em São Bernardo, não creio que a ausência da voz do ex-presidente Lula nos palanques prejudique a reeleição do prefeito Luiz Marinho. Jornalista, Carlos Laranjeira é autor de livros e se encontra no Facebook.
Escrito por Laranjeira às 07h15
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