Blog do Laranjeira

21/01/2012

 

Blog do Laranjeira

 

 

A reeleição de

Luiz Marinho

 

 

 

 

Se você acha que o prefeito Luiz Marinho não será reeleito no primeiro turno da eleição deste ano, é um direito seu pensar assim, mas eu que não me considero simpático ao Partido dos Trabalhadores creio sim; a propósito, acredito mais: ele terá a maior votação da história da cidade.

 

Não pelo seu governo, mas pela falta de ação do PSDB que se desmanchou em São Bernardo como um castelo de areia, por obra do deputado federal William Dib e pela perda continuada para o PT de eleitores  de Orlando Morando (Alex Manente, do PPS, outro eventual adversário  do atual prefeito, também perde eleitores).

 

No clube que freqüento, ao me encontrar entre mais de 10 pessoas, eu indagava em quem os demais pensavam  votar para prefeito: Marinho tinha a maioria, Alex e Orlando dois votos em média cada, mas deixei de realizar essas brincadeiras depois de, nas duas últimas consultas, constatar que os eleitores de Alex e Orlando pularam de lado.

 

Você se lembra da reeleição a prefeito de William Dib, em 2004? Ele construiu um arco de alianças tão imenso, no qual incluiu Maurício Soares, Orlando Morando, Otávio Manente (pai de Alex Manente), Gilberto Marson e outros, que recebeu a maior votação até hoje: 295 mil votos.

 

Desde essa eleição Dib se considerou um líder regional e começou a se enfiar na política de Santo André e Diadema, cidades em que defendia o apoio tucano ao vereador Paulinho Serra e ao ex-prefeito José Augusto da Silva Ramos, para prefeito, sem perceber que, com essa ação, começava a ser um ponto de discórdia.

 

A ação de Luiz Marinho tem sido inversa a do antecessor. Ele busca consolidar São Bernardo nas mãos do PT para em seguida conquistar outras cidades. Não faz um grande governo, mas quebra e repõe asfalto e reorganiza leitos de ruas, praças e avenidas com uma  publicidade jamais vista.

 

Alex Manente tem uma eleição garantida para deputado federal em 2014 e perder feio para Luiz Marinho agora pode comprometer sua futura eleição, melhor seria se compor com Marinho a quem apoiou no segundo turno em 2008 e evitar uma desagradável exposição. Do mesmo modo Orlando Morando, que agiu bem ao associar a sua imagem a do governador Geraldo Alckmin e assim garantir reeleição para estadual. Mas o quadro futuro pode não ser este, pois, como dizia Ulisses Guimarães, política é como nuvem: você olha para cima ela está de um jeito, olha de novo, ela está de outro.

 

A recuperação do PSDB em São Bernardo vai demorar anos talvez décadas porque o deputado federal William Dib, na pressa de prejudicar Orlando, seu companheiro de partido, mas pessoa de quem ele passou a sentir aversão, desmantelou a principal legenda de oposição ao atual prefeito. Desde o instante em que a direção municipal do partido decidiu lançar candidato próprio era sua obrigação lutar a favor da decisão coletiva, mas assim não agiu, então pelo volume de declarações suas que produziram descrédito a esta causa, a executiva municipal do PSDB só não abre um processo para tomar o seu mandato por infidelidade partidária caso não queira, pois motivos há de sobra.

 

Jornalista, Carlos Laranjeira é autor de livros e se encontra também no Facebook.


Escrito por Laranjeira às 20h15
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19/01/2012

 

 

 

Governo só enriquece

o “anistiado político”

 

 

 

 

É duro a gente ler  notícias de que esse e aquele “anistiados políticos” foram contemplados com  indenizações entre R$ 2 e 3 milhões e aposentadorias vitalícias de em média R$ 15 mil, enquanto o governo alega não possuir dinheiro para dar mais de 6% de reajuste aos aposentados, que são forçados a voltar ao mercado de trabalho, pois o que recebem não cobre o seu modo simples de vida.

 

“Anistiados políticos” justificam terem sido perseguidos pela ditadura militar, mas se você comparar o sistema judiciário e o sistema prisional (500 mil presos) hoje no Brasil verificará que são iguais ou mais cruéis do que dos anos 60 e 70, chamados “anos de chumbo” em alusão ao rigor da repressão. E concluirá que os juízes mandam hoje para as prisões, onde morrem abandonadas, mais pessoas do que as encarceradas e mortas pelos militares.

 

Repórter do Jornal da Bahia, ao cobrir passeata estudantil,  fui recolhido pelos militares, mas a arrogância destes ao tomar depoimento nos quartéis não se compara a dos juizes nos fóruns, especialmente das juizas. Já respondi a oito processos por eventuais crimes de imprensa em São Bernardo, e juizas em particular transmitem  ódio tão mesquinho a jornalistas  perceptível pelo modo de falar que suscita indignação.

 

Nos “anos de chumbo”, o governo  censurava jornais e revistas, mas era uma censura confusa que se conseguia romper. Hoje, a censura é econômica e financeira: quando o seu veículo de comunicação não se afina com vereadores, prefeitos, governadores e presidentes, estes não oferecem nenhuma mensagem publicitária, a propósito até oferecem para verem se você passa a acompanhá-los, mas se insiste em recusar a sua política, eles não pagam pela publicação da mensagem. Às vezes, recorrem ao judiciário e  juízes  não só proíbem o órgão de imprensa de falar de determinado assunto  como impõem multas em dinheiro se por negligência falar. Assim ocorreu recentemente a O Estado de S. Paulo por imposição da família do senador José Sarney.

 

 

Carlos Laranjeira

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Escrito por Laranjeira às 09h10
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16/01/2012

 

 

 

O ingênuo

Admir Ferro

 

 

 

Não se entende por que razão o presidente do PSDB de São Bernardo, vereador Admir Ferro, até agora não abriu um procedimento administrativo de infidelidade partidária contra o deputado federal William Dib, para o partido tomar o mandato do deputado, se já existem provas em profusão.

 

Essas provas estão em recortes de jornais, por meio dos quais Dib declara apoio a Alex Manente,  eventual candidato a prefeito do PPS, partido em que ele filiou a  mulher, Marilda Dib, para possivelmente concorrer a vice de Alex. Teria filiado ainda vários auxiliares ao PPS, ao qual tem feito declarações de amor.

 

Se tivesse realizado essas ações no PT, Dib já teria sido expulso a base de murros e pontapés, mas no PSDB, partido covarde, promove a desordem e a avacalhação da legenda, com a condescendência do presidente da agremiação na cidade, que finge  desconhecer o comportamento  do deputado.

 

Algumas pessoas que converso acham Admir Ferro vaidoso, eu ao contrário o considero ingênuo. Comecei a considerá-lo assim em 1994, quando ele saiu candidato a deputado estadual e conquistou 15 mil votos na cidade,  foi o segundo mais votado, só atrás de Waldir Cartola.

 

Eu lhe insinuei ao telefone que Maurício Soares, apesar de se encontrar à época no PSDB, não era de confiança, ao dizer:

 

“Admir, por que Maurício não saiu a deputado federal? Se tivesse saído, os dois teriam sidos eleitos porque ele puxaria os votos necessários à sua eleição.”

 

Admir concordou, mas dois anos depois indicou Maurício Soares  coordenador da sua campanha eleitoral a prefeito. Só uma pessoa extremamente ingênua agiria desta forma, colocaria o ex-prefeito - que por interesse próprio vestiu a máscara de tucano - como coordenador de  campanha. Admir então não decolou nas pesquisas de intenção de votos, renunciou, Maurício assumiu  a candidatura, fez um acordo nebuloso com William Dib, venceu Tito Costa em dois turnos e, empossado, deu em retribuição a Admir Ferro a secretaria de Educação.

 

Eu pergunto: por que a habilidade que usou ao assumir a candidatura em lugar de Admir, Maurício não utilizou como coordenador de campanha?

 

“Eu não estou pronto para carregar ninguém nas costas, não”, teria dito Maurício Soares quando Orlando Morando foi indicado seu vice para a eleição de 2008, resposta válida também para Admir.

 

Agora, na presidência do PSDB, Ferro ignora ou finge ignorar,  a ação baderneira do deputado federal William Dib, de quem foi secretário na prefeitura. E Dib ainda quer que Admir sirva como auxiliar de Alex Manente no processo eleitoral deste ano. E, apesar de Maurício Soares já o ter feito de bobo, ele - Admir Ferro -  poderá voltar a representar este papel.

 

Jornalista, Carlos Laranjeira é autor de livros e se encontra no Facebook.


Escrito por Laranjeira às 08h56
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13/01/2012

 

 

Incapaz na oposição,

PSDB vê os pobres

morrerem soterrados

 

 

 

 

 

O PSDB não está preparado para o exercício da oposição seja em São Bernardo ou no âmbito federal, razão pela qual mortos em deslizamentos de terras se sucedem, com a negligência do governo federal, como um acontecimento normal.

 

Em janeiro de 2011, coincidindo com a posse da presidente Dilma, ocorreu o maior número de mortos em deslizamentos de terras no Rio de Janeiro: 911. Ela teve 12 meses para evitar a repetição da tragédia, mas esperou acontecer de novo para anunciar providências.

 

Desta vez, os mortos por deslizamentos não são apenas no Rio de Janeiro: em Minas Gerais e Espírito Santo também, onde centenas de cidades estão sem energia elétrica, sem fornecimento de água tratada, as estradas se encontram intransitáveis, o transporte da produção paralisado  e milhares de famílias, que perderam tudo que acumularam nos últimos anos, desabrigadas.

 

Mas os salários de senadores, deputados federais, deputados estaduais e vereadores não deixam de ser pagos. Só este ano os 81 senadores irão consumir R$ 2 bilhões e 700 milhões, ou seja, cada senador terá direito a R$ 33 milhões e 400 mil. A Câmara Federal terá à disposição R$ 3 bilhões e 600 milhões ou R$ 6 milhões e 600 mil para cada um dos 513 deputados.

 

O orçamento  da Assembléia Legislativa de São Paulo, de R$ 1 bilhão e 500 milhões. O da Câmara Distrital de Brasília, integrada por 24 deputados distritais, será de R$ 240 milhões ou R$ 10 milhões para cada um. Em São Bernardo do Campo,  a Câmara de Vereadores  terá em 2011 uma verba de R$ 72 milhões provenientes da prefeitura.

 

Se reunir somente as verbas do Congresso Nacional, da Assembléia Legislativa de São Paulo, da Câmara Distrital de Brasília e da Câmara de Vereadores de São Bernardo você terá quase R$ 9 bilhões. Este dinheiro seria suficiente para construir casas de graça para todos os moradores em áreas de risco do país, sem contar é claro com as verbas de 27 assembléias legislativas e de 5 mil câmaras de vereadores.

 

Mas o PSDB não denuncia essas injustiças porque elas beneficiam também os seus parlamentares, então, além de despreparado para o exercício da oposição, o partido tucano é parte integrante dessa manobra ilícita, cujo maior prejudicado é o cidadão sujeito a morrer todo verão em deslizamentos de terras.

 

Jornalista, Carlos Laranjeira é autor de livros. Pode ser encontrado também no Facebook.

 


Escrito por Laranjeira às 16h40
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06/01/2012

 

 

 


Escrito por Laranjeira às 19h07
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30/12/2011

 

 

 

Dib desarticula

PSDB para o PT

 

 

 

 

A legenda fundada por Mário Covas, com destaque para a social democracia, transmite a ideia de uma sigla robusta, mas o deputado federal William Dib, de São Bernardo, prova que ela não é o que parece ser. Esse cidadão, aparentemente a serviço do Partido dos Trabalhadores, a enfraqueceu na cidade em que ele foi prefeito e, decorrido um ano de mandato em Brasília, não ousa falar mal  nem do prefeito Luiz Marinho nem do ex-prefeito Maurício Soares, ambos do Partido dos Trabalhadores.

 

Esse seu comportamento germina na cidade todo tipo de notícias, inclusive de que teria feito acordo com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com a função de não permitir o deputado estadual Orlando Morando alçar vôo e assim facilitar a reeleição do prefeito Luiz Marinho. O nome de Marinho Lula guarda no bolso para apresentar em 2014 como candidato a governador em oposição ao atual, Geraldo Alckmin, pois, na opinião do ex-presidente, tanto os senadores Marta e Eduardo Suplicy quanto o  ministro Aloizio Mercadante se encontram desgastados.

 

Que Dib não tem contato com o governador Geraldo Alckmin é público, e que Geraldo não simpatiza com ele, também é do conhecimento geral, mas causa surpresa a atitude acanhada do PSDB, que nem censura faz ao deputado federal, alçado à condição de coordenador regional da legenda ao derrotar o prefeito Adler Kiko Teixeira, de Rio Grande da Serra. O presidente da executiva municipal dessa legenda, Admir Ferro, foi secretário da Educação de William Dib e transmite a impressão que o teme, então Dib se sente à vontade para dividir a oposição.

 

O que Dib recebe de Lula em troca deste trabalho, que envolveria o deputado estadual Alex Manente, do PPS, é um grande mistério em São Bernardo. Especula-se que, em razão desse acordo, Alex deixaria de concorrer daqui a três anos a deputado federal, para não prejudicar a reeleição do ex-prefeito, a quem o Partido dos Trabalhadores deixaria de causar aborrecimentos no judiciário e na campanha eleitoral de 2014.

 

Seria só isso?

 

Também produz desconfianças o fato de o deputado estadual Orlando Morando, que se desentendeu há três anos com o ex-prefeito, conservar-se em inteiro silêncio como uma estátua, sem fazer qualquer tipo de barulho, não obstante  Orlando seja o principal prejudicado pela ação discrepante do deputado federal. Este parece uma múmia em relação ao banditismo em que se transformou o governo federal, agora com a possível participação de juízes e magistrados, mas ágil na desarticulação da legenda em São Bernardo pela qual ele se elegeu deputado.

 

Como é estranho esse PSDB

 

Jornalista, Carlos Laranjeira é autor de livros e está no Facebook.

 


Escrito por Laranjeira às 18h32
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25/12/2011

 

 

 

Resposta a Suplicy

 

 

 

Eu tenho uma dívida de informação com o público, pois no início do ano elaborei, publiquei e encaminhei aos senadores  sugestão de projeto por meio do qual criava o Fundo Nacional de Pensão Alimentícia (Funap). Este Fundo destinava-se a centralizar todos os pagamentos de pensão alimentícia do país, redistribuí-los às mães de acordo com o efetivo custo da manutenção de uma ou mais crianças, apoderar-se das sobras, financiar escolas, prestar assistência psicológica aos meninos e jurídica aos casais separados e  pagar pensão de homens sem condições financeiras até eles possuí-las e assim terminar em definitivo com as suas prisões.

 

Eduardo Suplicy (PT-São Paulo) foi o senador que demonstrou mais interesse pelo projeto, o qual não havia lido integralmente razão pela qual me fez dezenas de perguntas, mas ele entendeu que a proposta não possuía meios de evoluir como emenda constitucional porque diminuía pagamentos de pensão, e só este fato, segundo disse, tornava-a inconstitucional. Eu insisti na ideia com o senador, que rompeu o diálogo quando afirmei não ser possível pagadores de pensão em atraso continuarem a ser presos,  enquanto que juízes, desembargadores e ministros acusados de roubarem o dinheiro público permanecem intocáveis.

 

Talvez o senador paulista tenha entendido que lhe dei uma resposta mal-educada ou  tentei lhe ensinar princípios de moral, mas a minha intenção não foi ser grosseiro nem lhe passar lições, pois sei que se trata de um dos poucos políticos com princípios socialmente aceitos. A minha intenção, senador, não foi a de lhe ser descortês, mas mostrar a realidade social do país, em que pais de família são humilhados e presos, enquanto vagabundos de paletó e gravata,  só porque assumem cargos de responsabilidade, são isentos de prisões, apesar de enfiarem a mão no dinheiro público.

 

Continuo a insistir na minha ideia a despeito do aparecimento de novidades relacionadas ao assunto como a de se substituir a prisão de pagadores de pensão em atraso pela inclusão de seus nomes em serviços de proteção ao crédito. Vou continuar sim a martelar este assunto, afinal o governo brasileiro tem feito com os pagadores de pensão em atraso  uma humilhação que só encontra parâmetros nos regimes cruéis, bárbaros e desalmados, pior ainda, com a desfaçatez de sustentar que essas humilhações e prisões estão previstas na Constituição.

 

A ditadura militar também possuia uma constituição, lembra?

 

 

Jornalista, Carlos Laranjeira é autor de livros e se encontra no Facebook.

 

Agradeço se concordar em repassar este artigo.


Escrito por Laranjeira às 12h34
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18/12/2011

 

 

 

Mensagem

 

 

 

A todos vocês que, durante o ano de 2011, leram-me ideias e informações, com opiniões e interpretações e compreenderam o juízo que fazia dos assuntos; entenderam-nas, refletiram e até compartilharam; a vocês que me acompanham há décadas e até me estimulam, desejo que:

 

No Natal, em 2012 e nos anos vindouros, sejamos dignos de ser ouvidos por Deus, Vida suprema e verdadeira; Deus em quem habitamos e vivemos; Deus que, por meio de palavras, nos orienta a ser-lhes gratos no êxito e humildes nas dificuldades; Deus de quem, ao nos distanciar e não cumprir as promessas,  recebemos rigorosas lições.

 

Deus que nos ensina o valor da lealdade e procura incutir em nós o respeito aos Seus princípios e regras e ensina que a desigualdade, a cobiça e a injustiça são fontes permanentes de insegurança e violência; Deus em cujo Filho Lhe veneramos,  reconhecemos a Sua presença entre nós no céu e na Terra e agradecemos a vida e o dom da esperança.

 

Que a paz alcance os corações e faça-se presente em todos os lares.

 

Feliz Natal, Feliz Ano Novo.

 

Carlos Laranjeira

 

 

VOTOS DE BOAS FESTAS

 

Recebemos, agradecemos e retribuímos votos de Boas Festas recebidos de de Sergio Demarchi, vereador do PSB de São Bernardo; Admir Ferro, vereador e presidente do PSDB de São Bernardo; Antônio Vanzella, conselheiro do Instituto Municipal de Assistência à Saúde do Funcionalismo de São Bernardo; Rita Ângela Zincáglia, funcionária aposentada da prefeitura de São Bernardo; Nevino Rocco, advogado em São Bernardo; Washington Luiz Santos Almeida, da cidade de Mauá; Inês Sá Freire, de Aracaju e do secretário do Meio Ambiente de São Bernardo, Giba Marson.


Escrito por Laranjeira às 18h49
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11/12/2011

 

 

 

Comunicado

 

 

 

 

Eu não tenho mais condições físicas de produzir o POLÍTIKA DO ABC, que circulou durante 15 anos e seis meses com um jornalismo independente, crítico e opinativo e em linguagem didática, no qual era encartado o JORNAL DO LIVRO.  Por realizá-lo sozinho desde maio de 1996 e acumular responsabilidades, além das obrigações de caráter intelectuais,  fui acometido de um forte cansaço mental e físico.

 

Alimentei esperanças até hoje de continuar com o POLÍTIKA, mas como essa confiança começou a interferir na minha recuperação, entendi haver chegado o momento de anunciar o fim definitivo  do jornal. Nesses 15 anos e seis meses, ele circulou com 180 edições e cumpriu a missão de recuperar a história política do ABC, tanto é verdade que germinou 12 livros e deve dar origem a outros.

 

O POLÍTIKA DO ABC não deve absolutamente nada nem a gráficas nem à Justiça, na qual enquanto circulou respondeu a oito processos cíveis e criminais e respondeu a dois inquéritos policiais, arquivados a exemplo dos processos. A todas as pessoas que se tornaram assinantes ou renovaram assinaturas nos últimos seis meses de 2011, devolverei a quantia integral (60 reais o valor de cada assinatura) em cheque da empresa proprietária do jornal a ser enviado pelos correios.

 

Às pessoas que me ajudaram a manter o POLÍTIKA DO ABC e me auxiliaram a defender-me em juízo, inclusive a  advogados cujos nomes omito para evitar eventuais injustiças, agradeço em público a confiança que em mim depositaram, pois sem esse apoio o jornal não teria circulado desde maio de 1996. Eu continuarei no sebo-livraria de minha propriedade, no Blog do Laranjeira e a editar livros, atividades mais leves do que a feitura do jornal, que me exigia um esforço excessivo.

 

São Bernardo do Campo, SP, 11 de dezembro de 2012.

 

Carlos Messias Laranjeira

Diretor

 

E-mail:

 

politika@uol.com.br


Escrito por Laranjeira às 21h51
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08/12/2011

 

 

 

De Lula a Dilma

 

 

 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entregou a direção do País a Dilma Roussef com 400 mil trabalhadores assalariados recolhidos às prisões em situações desumanas, agora, decorridos 11 meses do governo Dilma, o Brasil dispõe de 500 mil presos e o que ela fez até o momento, à solução do problema, foi destinar 4 bilhões de reais à construção e reforma de instituições penais.

 

Nos anos 60 e 70, a esquerda brasileira dizia que somente os pobres iam para a cadeia, mas em 2002 com a eleição à presidência da República de Lula, ícone dos esquerdistas, a detenção dos pobres e de quem não tem dinheiro para ter acesso a essa justiça elitista dobrou. E a “turma da presidenta” ainda avalia a questão com troças ao se questionar a ausência de ministros ladrões nas cadeias.

 

Nesses últimos 11 meses, seis ministros do governo foram demitidos pela presidente por suspeita de roubo do dinheiro público: Antônio Palocci, ministro da Casa Civil; Alfredo Nascimento, dos Transportes; Wagner Rossi, da Agricultura; Pedro Novais, do Turismo; Orlando Silva, do Esporte e Carlos Lupi, do Ministério do Trabalho, mas nenhum deles faz companhia aos trabalhadores assalariados nas instituições penais.

 

Por que não?

 

A gente há de supor que, com o próprio produto do roubo, eles reúnem condições de pagar aos melhores advogados do país até os processos a que respondem irem para o arquivo. Nos anos 80 o ex-governador de Minas Gerais, Francelino Pereira, tornou-se famoso por formular uma simples pergunta: “Que pais é este?” A esquerda dela aproveitou-se para ridicularizar o governo, hoje ela se encontra no poder e não consegue dar resposta  a indagação de Francelino.

 

Agora, a comunidade jurídica  começa a divulgar o dia de combate à corrupção. Não se encante, meu amigo, com essa manobra, cujo propósito ralo, mas aguçado, é fazer você esquecer de quem roubou o dinheiro público em seu prejuízo desde o escândalo do mensalão de 2003. Propósito também com a intenção hipócrita de fazê-lo se preocupar só com quem rouba a partir de hoje.

 

Não caia nessa de escolher um dia no ano para combater a corrupção. Esse combate tem de ser diário, a todo instante, nas relações profissionais e sociais, nos cantinhos dos jornais destinados às cartas de leitores, nos blogues, nos sites, nos contatos com os políticos e nas redes sociais. Devemos fazer da luta da devolução do dinheiro público roubado uma necessidade diária.

 

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Carlos Laranjeira é jornalista e autor de livros.

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Escrito por Laranjeira às 15h57
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30/11/2011

 

 

 

 

Por que Serra será

candidato a prefeito

 

 

 

 

Não há outra alternativa para o PSDB concorrer à prefeitura de São Paulo em posição de igualdade com o PT senão com o nome do ex-governador José Serra. Este, a despeito de ser um adversário fácil para o PT criticar, por haver renunciado a prefeitura depois de garantir que não a renunciaria e de haver posado na recente campanha presidencial ao lado do ex-presidente Lula, é o único nome do partido em condições de vencer.

 

Se o PSDB, que de tão vagaroso parece um elefante, parar e pensar há de concluir que José Serra foi o único dos pré-candidatos a levar vantagem na disputa para prefeito de São Paulo com a desistência de Marta Suplicy, por imposição de Lula, que tem razão para insistir no nome do ministro da Educação, Fernando Haddad. Vocês podem escrever: na próxima pesquisa, sem a inclusão de Marta, Serra deverá estar em primeiro lugar na intenção de votos dos eleitores paulistanos.

 

Num primeiro momento, Lula tem razão de insistir no nome de Fernando Haddad porque a rejeição de Marta era tão grande quanto à de Serra e o ministro da Educação, marxista confesso e que não acreditaria na existência de Deus, ainda não apareceu em pesquisas com rejeição elevada. Mas, no instante em que seus adversários apontarem as suas imperfeições inclusive o grande repasse de verbas do Ministério da Educação para a União Nacional dos Estudantes, enquanto os professores carecem de salários adequados, ele tende a desequilibrar-se.

 

Por causa de um câncer na garganta, Lula provavelmente não discursará em  comícios ou nas exibições públicas do candidato petista, mas gravará mensagens para serem veiculadas no rádio e na televisão. De acordo com  pesquisa do Datafolha, Lula tem mais condições de desequilibrar uma eleição para prefeito de São Paulo do que o governador Geraldo Alckmin, a despeito do bom desempenho de Geraldo na área de transporte público, inclusive no metrô, mas na hora em que se comparar o currículo de Serra com o de Haddad o indeciso não terá dúvidas em optar pelo ex-governador.

 

Fazer aliança com o  PSD, de Gilberto Kassab, creio que será uma bobagem tão grande do PSDB como apresentar nomes semelhantes aos de Bruno Covas, Andréa Matarazzo e outros sem nenhuma densidade eleitoral na  capital. Claro que Guilherme Afif Domingos, atual vice-governador e que se transferiu para o PSD, tem um amplo currículo, mas ele não pisa em chão de barro, só em asfalto, razão pela qual a maioria dos paulistanos não sabe quem ele é.

 

Jornalista, Carlos Laranjeira é autor de livros inclusive de Histórias de Adhemar, a ser relançado no primeiro trimestre de 2012.

 

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Escrito por Laranjeira às 01h03
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14/11/2011

 

 

PT porta a porta

e a oposição briga

 

 

Um amigo do bairro Assunção em São Bernardo, formado em filosofia, manifestou o interesse em conhecer Aldo Santos, professor de Filosofia,  por e-mail pedi a Aldo para contatá-lo, os dois encontraram-se várias vezes e pelo meu entendimento teriam se entrosado.

 

Semanas depois reencontrei esse amigo e perguntei pelo Aldo. Ele respondeu:

 

“O Aldo pediu-me para ingressar no PSOL, concordei, mas ele demorou  de formalizar a minha entrada no partido. Então, dia desse Vanderlei Salatiel, presidente do PT, foi a minha casa com fichas de filiação, conversou e pediu para eu e meu pai ingressar no PT, preenchemos as fichas e ingressamos”.

 

Quem contou a Vanderlei Salatiel que o PSOL pretendia inscrevê-lo? - indaguei.

 

“Não sei como ele ficou sabendo.” - respondeu.

 

Outro caso:

 

Um advogado esteve em meu sebo e me contou que a sua propriedade rural no interior havia sido invadida por trabalhadores do Movimento Sem Terras. Disse que iria ao Sindicato dos Metalúrgicos procurar alguma pessoa que tivesse contato com o MST para dissuadir o Movimento da ocupação.

 

Retornou dias depois e contou:

 

“Estive no Sindicato, fui atendido por alguns diretores e narrei o meu caso. Eles telefonaram na hora para o MST, que saiu da minha propriedade. Então,  me pediram para ingressar no Partido dos Trabalhadores, ingressei e me ofereceram várias camisas com o símbolo do sindicato”.

 

O advogado me perguntou:

 

“Você não quer uma camisa?”

 

Disse que não, mas a despeito  da minha resposta ele foi ao carro e trouxe a camisa.

 

Enquanto a oposição briga, o PT trabalha porta a porta.

 

Jornalista, Carlos Laranjeira é autor de  livros, um dos quais O Vocabulário da Política.

 

Leia também as notícias e comentários de filmes, músicas e livros do Sebo do Laranjeira. Endereço: 

               

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Escrito por Laranjeira às 11h33
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08/11/2011

 

 

 

Imoralidade

 

 

Já passou da hora de os brasileiros se rebelarem contra a imoralidade em forma de lei que permite a presidente - ou ao presidente da República - nomear amigos para ministro do Supremo Tribunal Federal em contradição com a conduta moral, que recomenda serem designados pela comunidade jurídica do país por meio de processo eleitoral.

 

Agora mesmo Dilma Roussef acaba de indicar, por ato exclusivo dela, a juíza Rosa Maria Weber para o lugar da ministra Ellen Gracie, que se aposentou. O anúncio do ato autoritário, que infunde obediência, veio acompanhado de uma chacota: a indicação só será efetivada depois de a nova ministra ser submetida a uma sabatina no Senado.

 

Para você verificar se essa sabatina trata-se ou não de uma zombaria, peça ao Senado a cópia da sessão que aprovou  o nome de Ricardo Lewandowski. Verificará que essas sabatinas, em vez de serem  exames para avaliar a aptidão em forma de perguntas e respostas, são encontros sociais com elogios mútuos, de senadores para o novo ministro e deste para os que o deviam examiná-lo. E só não terminam em brindes em que se bebem champanhe, com votos à saúde de um e de outro, porque seria esculhambação demais.

 

Pelo que sei, o ex-presidente Lula jamais perdeu uma ação no Supremo Tribunal Federal, afinal ele nomeou sete dos 11 ministros que passaram a lhe dever o favor do emprego: Antonio Cezar Peluso, Carlos Ayres Britto, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Eros Grau e Joaquim Barbosa. Por essa razão o ex-presidente obrigou, com a concordância do Supremo, o aposentado do setor público voltar a contribuir com a Previdência, depois de haver contribuído por mais de 30 anos.

 

A sucessora de Lula, no seu primeiro ano de governo, já nomeou dois ministros para essa corte: Luiz Fux, que substituiu Eros Grau e agora Rosa Maria Weber. Em outras palavras, em que a política toma o lugar do Direito, o Partido dos Trabalhadores tem hoje nove dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal e daqui a um ano, com a aposentadoria de outros dois, terá a totalidade.

 

Você ainda alimenta esperanças de os ladrões do mensalão serem punidos por essa corte?

 

Em vez de se preocupar com coisas vãs,  precisa mexer a cabeça e o esqueleto e entender que só por meio da resistência civil em manifestações, passeatas, comícios e em redes sociais poderá acabar com o apadrinhamento, com as leis absurdas que beneficiam uns poucos em prejuízo da maioria do povo.

 

Você já viu parente (de juiz, magistrado, ministro do Supremo ou do governo, do presidente da República e do vice, de senadores e deputados federais) desempregado ou em fila de atendimento médico do SUS? Em fila na Caixa Econômica para provar que não tem nome em SPC ou Serasa e está apto a comprar casa financiada?

 

Se você não quer continuar a ganhar 600 reais, enquanto outros embolsam R$ 27 mil e mordomias, se você não quer levar porrada de seguranças em pronto-socorro por protestar contra a demora do atendimento,  precisa entender que as leis são feitas para intimidá-lo a não lutar contra as injustiças. Então, se está disposto a lutar, crie blog, proteste e ajude a organizar manifestações de ruas a começar contra a indicação imoral de amigos para o Supremo Tribunal Federal.

 

Carlos Laranjeira é autor entre outros do livro Frases de Lula e Cia, 12 reais

 

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politika@uol.com.br

 

Leia também as notícias e comentários de filmes, músicas e livros do Sebo do Laranjeira. Endereço: 

               

http://carlos.laranjeira.blog.uol.com.br


Escrito por Laranjeira às 12h23
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05/11/2011

 

 

Caras-de-pau

 

 

O que mais causa indignação no fato de senadores, deputados federais e estaduais terem passado uma semana na moleza, propiciada pelo feriado do Dia de Finados na quarta-feira, é a dissimulação das emissoras de rádio e televisão criadas por eles para passar ao público uma imagem diferente da verdadeira.

 

Se você, em algum dia da semana passada, ligou a televisão na TV Senado, TV Câmara e TV Assembleia só assistiu entrevistas e reuniões de comissões técnicas ocorridas há dois ou três meses, mas com a aparência de que ocorria naquele dia ou naquela hora, para lhe transmitir a impressão de que continuavam a trabalhar.

 

Pura mentira.

 

Inaugurada em 1996, quando o presidente da Casa era José Sarney, a TV Senado tem a cara do Sarney, não só a cara, mas todos os traços do  senador do Maranhão porque ela é tão enganosa como o próprio Sarney, cuja ação causa nojo. O jornal O Estado de S. Paulo permaneceu por dois anos sob censura por causa de um processo do seu filho, agora Sarney diz que só soube do processo após a determinação da censura. Além de asquerosa, ação covarde.

 

Ele devia, com a responsabilidade do cargo, inserir na programação a advertência de que todos os programas transmitidos na semana passada eram atrasados, porque a Casa, em razão do feriado do Dia de Finados, encontrava-se sem trabalhar. Assim não procedeu para ludibriar o público e passar a sensação de que os senadores não se encontravam no ócio, então essa mesma orientação foi seguida pela TV Câmara e pela TV Assembléia do Estado de São Paulo.

 

Com R$ 27 mil todo mês, além das mordomias (estadual recebe R$ 22 mil), os senadores, deputados federais e estaduais parecem sentir orgasmo ao caçoar do público mediante a utilização da sua televisão para fins escusos. Criada para  propagar o seu eventual trabalho, ela é utilizada para esconder as suas intenções ou aparentar o contrário do que ocorre.

 

Caras-de-pau.

 

Essa turma não está nem aí com a epidemia das mortes no trânsito, com o aumento dos homicídios e de alunos armados,  com o crack que virou problema de saúde pública em 64% das cidades brasileiras, com a discussão se a sociedade é desigual ou injusta. Numa semana como essa, com o sábado e  domingo ensolarados, você acha que eles irão pensar nessas coisas?

 

Mas, se quiser endossar este protesto, utilize-se de um dos e-mails abaixo ou de todos:

 

Aloysio Nunes Ferreira -SP

aloysionunes.ferreira@senador.gov.br

 

Eduardo Suplicy – SP

eduardo.suplicy@senador.gov.br

 

Marta Suplicy - SP

martasuplicy@senadora.gov.br

 

Jornalista,Carlos Laranjeira é  autor de vários livros inclusive de Política para Principiante, 64 páginas, 12 reais. Pedidos pelo fone: 3412-6930.

 

Leia também as notícias e comentários de filmes, músicas e livros do Sebo do Laranjeira. Endereço:

 

 

               

http://carlos.laranjeira.blog.uol.com.br

 

 

 

 


Escrito por Laranjeira às 20h13
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01/11/2011

 

 

 

Quem resolveu

a minha aflição

Aos 12 anos eu já era viciado em leitura de gibi, revista e jornal e lembro que, nessa época, havia uma discussão entre a Igreja e os marxistas em cuja opinião, se o homem levasse uma pancada na cabeça, os demais membros do corpo perderiam a força, portanto ele seria matéria. A Igreja replicava: Deus mora na memória do homem situada na cabeça, com a qual ele exercita o pensamento e se comunica com as coisas divinas. O homem, dizia a Igreja, é matéria e espírito, este o Bem que a  movimenta e  lhe dá a vida. 

Logo, surgiu-me a primeira grande preocupação a qual me acompanharia pela maior parte dos anos:  se Deus é o Bem que se encontra em todas as pessoas, por que então umas são boas e outras más? Por que umas matam outras? 

No mês de agosto, festa do padroeiro da cidade, São Bartolomeu, eu assistia  as pregações do Padre Sadock, considerado o mais importante orador sacro da Bahia, mas ele não dava resposta à minha curiosidade. Ao me mudar para Salvador, entendi que se passasse a frequentar mais as missas e esperasse pelo sermão um dia eu encontraria a solução do problema, então, às igrejas próximas de casa como do Senhor do Bonfim e de Nossa Senhora da Boa Viagem e do Largo de São Bento, próxima ao Jornal da Bahia onde eu trabalhava, ia inúmeras vezes, mas os discursos religiosos cheios de encantos não satisfaziam o meu desejo. 

Uma desilusão amorosa me levara à embriaguês e, além de falar da causa da bebedeira, demonstrava irritação com a falta de resposta à pergunta que me preocupava:

Se Deus é o Bem que se encontra em todas as pessoas, por que então umas são boas e outras más? Por que umas pessoas matam outras?, repetia aos amigos.

Assim, virei alvo de brincadeiras e ganhei a alcunha de maluco. 

Em São Paulo, início dos anos 90, a minha mãe, viúva, caiu doente. Trouxe-a para submetê-la a exames, os médicos lhe descobriram a diabete, ela voltou para Salvador, aonde eu ia visitá-la sempre que podia. O meu irmão levou mamãe de volta para a  cidade natal de onde recebi telefonema que ela se encontrava mal. Viajei, mas a encontrei morta. Soube então que minutos antes de morrer mamãe pronunciou várias vezes o meu nome, tal informação me deixou magoado pelo sentimento de não vê-la em vida pela última vez e retornei a São Paulo.  

Já separado, passei a morar sozinho no Bairro Baeta Neves e com o pensamento fixo em minha mãe não conseguia noite após noite pregar no sono. À época  já acumulava duas funções: de jornalista e livreiro. Fui a São Paulo em busca de novidades no mercado de livros e ao passar pela praça da Sé vi na vitrine de uma loja o livro O Cuidado devido aos mortos, de Santo Agostinho. Comprei e no caminho de volta a São Bernardo no microônibus conhecido como Rápido São Paulo li o livro quase inteiro. Conclui a leitura em casa e não sei por qual motivo nessa noite tive um sono profundo e sonhei com mamãe, ela com o rosto dos tempos em que possuía pouco mais de 30 anos. 

Interessei-me então pelas obras de Santo Agostinho: conheci suas Confissões na qual ele confessa que o único lugar que Deus pode ser encontrado no homem é na memória, este livro me atraiu para  outros como O Livre Arbítrio, no qual  encontrei a resposta à pergunta que me torturava: se Deus é o Bem que se encontra em todas as pessoas, por que então umas são boas e outras más? Por que umas matam outras? 

Porque todos nós nascemos com a liberdade de agir tanto para o bem quanto para o mal. Essa liberdade, dada por Deus, Agostinho chama de livre-arbítrio que é um bem em si mesmo, não um mal, mas "o pecado (a má ação, a crueldade e a perversidade) provém do mau uso do livre-arbítrio." 

Fui possuído de incontida alegria por essa descoberta e nunca mais enfiei uma gota de álcool ou um cigarro na boca. Vegetariano, continuo a morar e a trabalhar só e nenhuma solidão,  nenhuma  discórdia, nenhuma edição de jornal têm tido forças suficientes para alterar a minha paz. 

Ontem, lembrei que novembro é o mês da morte de Santo Agostinho, quem me livrou de uma aflição e de quem me aproximei pelo seu pensamento impresso em letra de forma. Então, resolvi postar este texto na internet.

Jornalista, Carlos Laranjeira é autor entre outros livros de Autores e Livros, 80 páginas, 12 reais.

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Escrito por Laranjeira às 11h27
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